Alleinstehende Mütter in Deutschland: ihre Rechte auf Unterhalt

Mães solo e apoiadores segurando faixa Kindergeld für alle Kinder em frente ao Bundestag, Berlim

Mais da metade de todas as famílias monoparentais na Alemanha não recebe nenhuma contribuição financeira do outro genitor — e 41% dos pais solo correm risco de viver na pobreza. A maioria são mulheres.

Esse dado, confirmado por números oficiais do governo alemão, alimentou um debate público que chegou ao Parlamento: mães solo organizadas coletaram quase 130 mil assinaturas e entregaram uma petição ao Bundestag pedindo mudanças concretas no sistema de pensão alimentícia.

Fonte: Deutsche Welle Brasil (@dw.brasil)

O que é a pensão alimentícia na Alemanha (Kindesunterhalt)?

Na Alemanha, a obrigação de pagar pensão alimentícia para os filhos — chamada de Kindesunterhalt — existe independentemente de o casal ter sido casado ou não. O valor é calculado com base na Düsseldorfer Tabelle, uma tabela de referência nacional atualizada anualmente, que considera a renda do genitor obrigado e a faixa etária do filho.

O pagamento é mensal e é uma obrigação legal. A falta de pagamento não é apenas um problema financeiro — ela tem consequências jurídicas diretas.

O que acontece quando o outro genitor não paga?

Quando o pagamento cessa, a mãe ou pai que cria o filho sozinha enfrenta dois problemas simultâneos: o financeiro e o burocrático.

O Estado alemão oferece um mecanismo de amparo chamado Unterhaltsvorschuss — um adiantamento público pago pelo Jugendamt (Serviço de Proteção à Infância). Esse valor cobre parte do que deveria ser pago pelo genitor ausente, mas geralmente não corresponde ao total a que a criança teria direito por lei.

Os valores vigentes em 2025 são:

  • 0 a 5 anos: €230/mês
  • 6 a 11 anos: €301/mês
  • 12 a 17 anos: €395/mês

Esses valores são um piso mínimo — não impedem que você cobre judicialmente o valor completo com base na Düsseldorfer Tabelle.
Um detalhe importante: a dívida não desaparece

Mesmo nos casos em que o devedor chega a ser detido por descumprimento de obrigação alimentícia — o que é juridicamente possível na Alemanha — a dívida continua existindo e acumulando. A detenção é uma medida coercitiva para forçar o pagamento, não uma quitação da dívida. Isso significa que os valores em aberto podem ser cobrados posteriormente, inclusive com juros.


O debate atual: por que mães solo estão pedindo mais?

A petição apresentada ao Bundestag questiona exatamente essa lacuna: o adiantamento estatal não substitui o que o outro genitor deve pagar por lei, e o processo judicial para cobrar esse valor é longo e desgastante.

No Parlamento, o debate divide opiniões. Deputadas de esquerda — algumas delas mães solo por experiência própria — defendem punições mais severas para quem deixa de pagar, argumentando que a inadimplência alimentícia é uma forma de violência financeira. Já parlamentares de centro-direita enfatizam o reforço do apoio estatal como caminho prioritário.

Nenhuma lei foi aprovada até o momento, mas o tema está em pauta e a pressão política é crescente.


O que é possível fazer juridicamente?

Se o outro genitor não paga pensão alimentícia, existem caminhos legais concretos:

1. Obter um título executivo (Unterhaltstitel) Para acionar a Justiça, é necessário ter um título executivo — um acordo homologado, uma sentença judicial ou uma escritura pública lavrada em cartório. Sem esse documento, não é possível iniciar uma execução forçada.

2. Execução forçada (Zwangsvollstreckung) Com o título em mãos, é possível acionar o tribunal para penhorar salário, conta bancária ou outros bens do devedor. O juiz pode determinar que o empregador retenha o valor diretamente na folha de pagamento.

3. Cobrança de valores atrasados A pensão não paga pode ser cobrada retroativamente, em regra até um ano antes da data do pedido formal. Por isso, quanto mais cedo a ação for iniciada, melhor.

4. Genitor devedor mora fora da Alemanha — inclusive no Brasil Quando o pai ou a mãe devedora reside em outro país, o processo é mais complexo, mas não impossível. Existem acordos internacionais e mecanismos de cooperação jurídica que permitem cobrar pensão alimentícia no exterior. Esse é um caso que exige orientação jurídica especializada desde o início.


Quando procurar um advogado?

A orientação jurídica é indispensável nos seguintes casos:

  • O outro genitor parou de pagar e você ainda não tem um título executivo
  • Você precisa calcular o valor correto com base na Düsseldorfer Tabelle
  • O genitor devedor mora fora da Alemanha — inclusive no Brasil
  • O acordo de pensão foi feito informalmente e não tem validade legal para execução
  • O valor combinado não reflete mais a renda atual do devedor e você quer revisá-lo

Como o Escritório Koelln pode ajudar

A Dra. Sandra Koelln é advogada inscrita na OAB (Brasil), na RAK München e na Ordem dos Advogados de Portugal, com atuação em Direito de Família Internacional em Munique.

O escritório atende famílias brasileiras e lusófonas na Alemanha em casos de pensão alimentícia, guarda internacional de filhos e divórcio — em português e alemão, com conhecimento direto do sistema jurídico alemão.

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Este artigo tem caráter informativo e não constitui aconselhamento jurídico. Para análise do seu caso específico, consulte um advogado.

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Dr. Sandra Koelln

Internationale Anwältin

Brasilianische Anwältin mit internationaler Erfahrung, mit Sitz in München, Deutschland. Eingetragen in die brasilianische Anwaltskammer (OAB), die Rechtsanwaltskammer München (RAK) und die portugiesische Anwaltskammer. Sie ist tätig in den Bereichen internationales Familienrecht, Einwanderungsrecht, europäische Staatsbürgerschaft, Zivil- und Wirtschaftsrecht, internationale Erbschaften und Anerkennung ausländischer Entscheidungen.

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